Devaneios #1



Rodopiava dentro do seu vestido de linho branco, os trapos que usava para cobrir os seus sonhos. Esses, eram finos e leves. Os sonhos, doces  e inocentes. Visíveis á superfície da sua própria humanidade. Os fios de cabelo dançavam com o vento enquanto dedilhava o muro de pedra coberto de musgo, um muro limitadamente sustentado, em ruínas. Sonhando mais um sonho, tecia, paredes firmes de um eterno momento, aquele mesmo. Aquele em que nos encontramos com nós mesmos, e em que tudo se confessa. Ela, perseguida pelo sol, assenhoreia-se do manto verde, expande-se nele, desabafa com o céu as suas estreitezas enquanto ouve cantos de sereias, melopeias de duendes, num mundo encantado onde os sonhos são o aroma de um orbe perfeitamente idealizado. Passando por onde ninguém passou, ela beija o chão com os seus passos, em marcas que não variam. Num pequeno momento de absoluta harmonia: a simplicidade é a essência da perfeição.


Escrito algures em 2014. 

(Picture: Joni Jiniani)

 

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